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Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro nem nas ideias,

nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.


Tempo morto e outros tempos

domingo, 10 de abril de 2016

Toda separação é dolorida

Hoje irei escrever sobre um assunto que bateu à minha porta há alguns anos, mas não falarei sobre essa situação. Falarei sobre a situação que mulheres enfrentam quando há a separação do marido, do pai dos filhos. Hà três amigas minhas que são próximas e que já passaram por essa situação. Conversando com elas, pedi que elas compartilhassem brevemente o que haviam vivenciado após a separação dos respectivos maridos e pais dos filhos dela. Vou somente colocar as iniciais do nome de cada uma, pois não perguntei se eu podia publicar o nome delas, então para não criar nenhuma situação chata, vou me referir a elas, no texto, somente pelas iniciais. A primeira que me contou a história dela foi a C. Conheço C há uns bons cinco ou seis anos. Agora que casei de novo, que moro em Guarulhos, faz um tempo que não nos encontramos, mas estamos sempre nos falando. Eu acompanhando o desenvolvimento da família dela e ela acompanhando o desenvolvimento da minha. Quando a conheci eu era solteira, já havia separado do meu primeiro marido e ela era casada. Um tempo depois ela se separou, com três filhos para criar. Saiu da casa onde morava com o marido e foi morar, novamente, com os pais dela. Hoje, o filho dela mais novo, que na época era bebê, acho que tinha nem um ano está um menino grande e maravilhoso. Aliás, os três filhos dela são maravilhosos. Mas estou aqui para falar das situações pelas quais uma mulher passa quando se separa. C é enfermeira, que trabalha em um hospital público municipal de São Paulo, ou seja, imaginem que os horários dela não sejam tão fáceis de coordenar, pois há plantões, há trabalho em Natal, Ano Novo, Páscoa, Dia dos Pais e Dia das Mães. Mesmo assim ela vem contornando todos os pesares, chegando de plantão e cuidando das crianças, enviando-as à escola para depois ela poder descansar, isso quando não tem coisas a resolver, paredes para pintar ou aula de dança para fazer, né C? Lendo e analisando assim podemos dizer: Ah, ok, a vida da moça é sofrida, complicada mas ela dá conta. Ela dá conta sim. Mas ela tem que dar conta sozinha? Cadê o pai dessas crianças? Participa com muita restrição. Há festas e momentos das crianças que o pai não está. Diz que está em plantão, já que o pai deles é policial. Mas e quando há um evento, a C não se desdobra e vai? E como fica a situação quando o pai casa com outra mulher que não se dá bem com as crianças.? Eu sei que não é fácil. C passa por situações muito estressantes por causa disso. Certa vez, a filha de C foi passar as férias, ou algum feriado, na casa do pai e da nova esposa dele, um tio dela, por parte de pai, numa brincadeira estúpida, deslocou o ombro da menina. Quem correu para cuidar dela? C. O dinheiro que os maridos tem que pagar como pensão é ínfimo, óbvio, quem cuida de uma criança sabe quanto é alto o gasto para cuidar e fazer essa criança desenvolver plenamente, gastos com educação, saúde, esportes, outra língua, passeios da escola, passeios, viagens, férias, comida, roupa etc etc etc. Quem tem filho sabe do que eu estou falando! O menorzinho dessa minha amiga passou, recentemente, por uma cirurgia séria. E o pai? Cadê? Não foi. Não estava presente. No retorno houve uma situação muito triste, o filho virou para a mãe e comentou que a maioria dos meninos estava acompanhado do pai e não da mãe, como ele. A mãe sensibilizada disse: na próxima vez seu pai virá. Mas ela sabe que não dá pra contar com o cara. Simples assim. Ele não participa. Vez em quando liga. Vez em quando fica com as crianças. Está certo isso? O casal se separou, mas os filhos são dos dois, os dois fizeram, os dois tem responsabilidade para com os filhos, sua criação e os cuidados a serem tomados com eles. Outra amiga é a M, que também passa por maus bocados. Mas nesse caso, não sei, eu acho, é muito pior, por quê? Porque simplesmente o pai do segundo filho dela. O pai da primeira filha morreu, Ela casou novamente, separou, e o pai do filho dela além de não pagar pensão e quando pagar ser um valor praticamente simbólico, não liga ou visita o filho. Não pega o filho para passar o final de semana com ele, nem férias, nem nada. Não quer saber do filho. Como será que fica a cabeça dessa criança? Depois alguns pais reclamam que as mães falam mal deles para os filhos. Não está certo fazer isso, pois o filho também não tem culpa de o pai tomar atitudes como esta. Mas tem hora que a paciência vai pro brejo numa situação dessas. A mulher tem um filho com um homem, com quem está casada, de repente o casamento termina e o homem acha por bem abandonar tudo? Abandonar mulher e filhos? Está certo isso. pergunto novamente? Para mim não. É fácil, simplesmente, fazer um filho, largar a mãe e deixá-la sem amparo para cuidar desse filho. E a responsabilidade onde fica? E a lei onde fica? A minha outra amiga é a T. Ela se separou quando a primeira filha tinha três anos e a segunda tinha apenas 11 meses. E ela disse que separou por não poder contar com o marido para os cuidados com as filhas e a casa. Chegava em casa achando que ele iria ajudá-la e nada, o cara ficava lá sentado no sofá, esperando que ela fizesse tudo, mesmo ela tendo trabalhado oito horas e meia no dia. Aí ela cansou de ter essa expectativa e isso nunca acontecer. E o cara nunca mudar. Separou. E hoje ela disse, depois de terapias e cuidados consigo e com as meninas hoje ela está muito melhor. Por ela ficar na expectativa que o marido mudasse, que o marido a ajudasse, isso foi a desgastando. Ela hoje se sente muito mais mulher, muito mais consciente de si e do que ela é capaz. Uma pergunta que fiz a todas. Com quem vocês contaram para manterem o equilíbrio e cuidarem dos seus filhos sem abandonarem seus empregos? E C me respondeu que o pai dela é um grande braço direito, ela mora com ele portanto ele a ajuda em muitas coisas, como buscar os meninos na escola, cuidar deles enquanto ela trabalha. Além do pai ela conta com a ajuda de uma babá que cuida das crianças e da casa. Além disso, há a irmã da C que também corre quando há algo mais urgente ou que alguém não possa fazer por ela. M disse que conta com ela e somente ela. E que sempre foi ela que cuidou de tudo, que havia uma pessoa que cuidava da casa, já que ela trabalha fora, mas que hoje casou novamente, e dispensaram a faxineira. Ou seja, ela voltou a cuidar de tudo sozinha apesar de ter uma filha em casa com vinte anos mas que não a ajuda como ela acha que a garota deveria ajudar. Já T. conta com uma empregada três vezes por semana e uma babá que cuida das meninas, que hoje tem 6 e 3 anos, além de contar com a mãe dela que vai alguns dias da semana na casa para cuidar e ficar com as meninas, além do pai das meninas que cumpre com seus deveres, paga a pensão e fica com as filhas nos dias que são seus dias de ficar com elas, por direito e determinação da justiça. Ou seja, ainda bem que há uma rede de ajuda para essa mães, que a meu ver são muito guerreiras. Pois, como disse no título, toda separação é dolorida. Mesmo quando você quer separar, todo o processo, que às vezes é longo, é dolorido. Você tem que abrir mão de uma vida, com a qual estava acostumada, vivendo com uma pessoa, dividindo tarefas com ela e de repente você se vê sozinha, com um ou mais filhos para você cuidar sozinha, mesmo tendo que manter todas as suas responsabilidades, como cuidados com a casa e o trabalho fora de casa. Eu comecei a pensar que se eu separasse hoje em dia, seria totalmente complicado, pois eu não posso contar com minha mãe, que sofre do Mal de Alzheimer. Poderia contar com minhas irmãs, pois essas sim são meu porto seguro, sei que quando necessito elas estão a postos para ajudar. Teria que manter a babá que cuida da Elena, e diminuir meus gastos, talvez morar em uma casa com um aluguel menor. Fazer uma terapia. Cuidar de mim e da Elena, já que muitas vezes a responsabilidade fica somente nas costas das mães. Todos meus aplausos e minha admiração a essas minhas amigas e a tantas outras mulheres que, após uma separação dos maridos, tomam todas as responsabilidades para si, para seus filhos continuarem a ser cuidados e crescerem com menos pesar possível, com menos sequelas possível. Mas sem sequela ninguém passa após uma separação. Mas ainda bem que há mulheres que tomam a frente e vão à luta. E não se entregam. Pelos filhos fazem todo o possível...e o impossível.....

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Minha aventura pelo HSPM - Parte 2

Pois bem, caros amigos, aqui estamos reunidos para a continuação da minha SAGA PELO HSPM. Então, relembrando, eu teria que me internar e me submeter ao procedimento de curetagem. Voltei no outro dia, depois de organizar a minha vida e da Elena, verificar com quem ela ficaria, quem a buscaria e levaria até a escola e etc e tal....Cheguei lá cedo. Passei no PS, fiz minha entrada no hospital e subi ao oitavo andar. Cheguei lá, entreguei minha ficha e....já sabem né? Até que fui chamada, e ...tchanã....por outra médica e não o que me atendeu ontem. Ou seja....tive que contar a mesma história, tudo de novo, ela me fez as mesmas perguntas. Por que, caros amigos? Porque a ficha do dia anterior, após consulta, deve ser abduzida, ela não caminha junto com seu atendimento, atendeu, acabou o dia, acho que eles comem as fichas, abre-se uma nova ficha e assim vai. Ok, expliquei tudo de novo e ela...me examinou de novo. Mas essa mulher era uma grossa de mão cheia, estúpida, cara fechada, não me deixava perguntar nada. Me examinou e disse: Espere aqui que eu já volto. E demorou milênios, mas voltou e disse: você terá que tirar sua roupa, deixar com seu acompanhante e voltar pra cá. Tipo, eu estava com um acompanhante. E se estivesse sozinha? Tipo, ela só dá ordens, não pergunta nada, não quer saber de você, quer resolver o problema dela. Coloquei aquele avental suuuuper degradante de hospital, com a abertura para trás. E fui entregar minhas coisas para minha acompanhante. E dali em diante fiquei incomunicável, e só sairia dali quando se efetivasse todo o procedimento da curetagem, que não consiste em te bodear e colocar a cureta em você e te cutucar até tirar tudo de dentro do seu útero. Não, caros amigos!! No meu caso, como o feto já está formado, o lance é pior, se é que isso pode ser pior do que o já mencionado, mas é pior. Por quê? Porque eu tenho que ter um parto do meu feto morto para depois então fazer a curetagem propriamente dita. Ou seja, é um procedimento deprimente. Deprimente no sentido de deprimir mesmo. É muita violência psicológica. Eu achei. A médica me mandou para uma sala onde já havia duas pessoas deitadas em camas hospitalares. Estava super apertado. E eu tive que deslocar uma cama para poder sentar. Euzinha, sozinha. No que vieram duas enfermeiras, Camila e Alessandra, super eficientes. A Camila punsionou minha veia para colocar o acesso e fez direitinho, nem hematoma tenho. A Alessandra super simpática, ficava conversando conosco o tempo todo. Gostei dela. Depois de um tempo, colocado o soro para hidratar minha veia, veio a médica com um comprimido na mão e disse: vou colocar esse comprimido em você e temos que esperar você começar a ter contrações. Ok. Vamos lá. Nessa hora, mano, você só quer acabar com aquilo logo. Eu sou falante, como sabem, e não consigo ficar taciturna num momento desses, aí que falo mais e tento me distrair. Pois bem. Esse procedimento começou era mais ou menos meio dia. Quando foi umas 17h nada de contração e nem dilatação. A médica volta e coloca mais um comprimido. 18h30 troca o plantão e vem outra médica, passam o caso para ela, como se você não estivesse ali: aquela é a Ana Cristina, ela teve um aborto retido, quadrigesta, com dois partos, coloquei miso duas vezes já esperando dilatar e expelir.....E eu mentalmente dizendo: Ei, hello, estou aqui, falem comigo e não de mim....Mas tudo bem. A médica que veio chamava-se Cristiane, suuuuuper mega competente, um pouco sisuda, mas sabia do que falava. Ela chegou e disse: Ana Cristina, vou te examinar, e lá vai a festa da uva, todo mundo pondo a mão dentro de mim...Assim não dá, minha gente...mas é o procedimento. E ela disse: seu colo está querendo começaaaar a dilatar. Quase pulei da cama e disse: começaaar?? Cara, estou aqui desde meio dia, morrendo de fome, pois estava em jejum desde às 20h do dia anterior e você vem me dizer que ele tá COMEÇANDO a querer dilatar. Cara, essa é outra hora que se eu tenho uma arma sei não...Mas eu respirei e sorri. Tipo pinguins de Madagascar: sorria e acene. Foi o que fiz. Logo depois chegou um outro médico, que acho que era o chefão da parada. E perguntou para a Doutora Cristiane os casos e ela explicou para ele meu caso. E ele perguntou: o que você pretende fazer? E ela: soro e oxicitocina pois já foi colocado dois miso e nada do colo dela dilatar. E eu mentalmente, de novo: I'M HEREEEEEEEEEEE!!!!  E lá vem as novas enfermeiras, que não perguntei os nomes, com o soro e a oxicitocina. Cara, esse remédio é do demo. Ela colocou o soro em mim e dali uns 5 minutos começaram umas contrações muito FDPs. Eu me contorcia toda. Minha irmã pode vir me ver por uns 5 minutos e eu falando com ela e me contorcendo. Minha irmã foi embora e eu lá, me contorcendo. Cansei, toda dolorida, morrendo de fome e os caras ainda vão jantar, esquentam o jantar no micro-ondas, na copa, em frente à sala que eu estava. PORRA MANO, to com fome, em jejum!! Sacanagem!!! Pois bem, eu com dor, perguntei pra médica se podia me sentar, ela disse que sim, só não podia andar. Pedi para ir ao banheiro e voltei, fiquei sentada, parecendo uma autista, fazendo balanceio de corpo, para passar a dor. Senti um tum dentro de mim e uma água escorrendo. Chamei a enfermeira, que da porta mesmo me olhou e disse: espera a médica vir te ver, mas ACHO que isso é normal. A médica não veio, fiquei com aquela água no meio das pernas, elas dobraram meu lençol e lá eu continuei, deitei, quer dizer, recostei na cama e senti algo descendo, quente, muito quente. A médica entra e diz, num tom meio alto: ela expeliu. Eu não sabia se dava graças, ou se dizia, você está falando do meu filho, morto, porém meu filho, fale com cautela, por favor. Mas não pensava em nada, somente em agradecer a Deus, pois havia rezado tanto, o tempo todo, para que tudo corresse bem e aquele sofrimento passasse logo. E eu sabia que depois da expulsão do feto morto poderia fazer a curetagem. Sabe que horas eram isso? Meia noite. Ou seja, fiquei lá do meio dia até meia noite para que a curetagem fosse feita. A médica pegou meu feto e me disse: quer ver? Senão vou colocar no saquinho (pois eles fazem análise do feto morto, creio que para saber as causas do aborto, não sei ao certo). Fiquei em dúvida, a moça que estava na cama ao lado disse: não veja não, você depois vai ficar com essa imagem na cabeça. E eu não quis ver. Ela levou meu feto embora, voltou, tirou a placenta e tudo o mais e depois me levaram para a sala de cirurgia e parto. E eu olhei pro teto, respingado de sangue....Ecate de novo! Meu, não dá pra limpar isso aí não?? Custa?? Pois bem, a anestesista chegou, me sedou e não vi mais nada até às 2h quando acordei da sedação e a enfermeira disse: só posso te levar pro quarto quando você conseguir dobrar os joelhos. E nada....eu mandava meu joelho dobrar e nada, por causa da raqui. E a morfina que me deram, me coçava inteira. Que sensações horríveis. E eu lá, meio dormindo meio acordada fui tentando mexer minhas pernas, até que consegui. Chamei a enfermeira que veio verificar se eu dobrava mesmo. A enfermeira que tomava conta das auxiliares, a Marilene, uma pessoa excelente, até a elogiei, veio me explicou todo o procedimento, que tinha sido efetivado com sucesso e o que aconteceria dali pra frente. E eu querendo comer a parede de fome, nem ouvia mais o que me diziam. Pois bem, a auxiliar verificou que eu realmente estava dobrando os joelhos e disse: vou te levar pro quarto rapidinho pois aquela lá (outra mulher que estava no pré parto urrando) logo logo vai parir. E ela me levou pro quarto. Duas enfermeiras me acolheram. Comecei a passar mal, vomitei. A enfermeira perguntou desde quando eu não comia. Respondi  e ela disse: vou ver se tem chá e bolacha e trago pra você. Administrou plasil. E eu capotei. E o chá to esperando até hoje...uahahahhahaa...Bem. Acordei. Me deram café da manhã, tomei banho, escovei dentes, virei gente de novo. Me deram dipirona. E eis que vem o chefão da máfia dos médicos com os residentes. Param na frente da minha cama. Ele pergunta como estou, se passei bem e se vira para os residentes e diz: Agora vamos ter aula de aborto. E começa a fazer perguntas para os residentes. E explicar as coisas. Eu gosto de aprender, então fiquei atenta à aula. Mas que é uma situação estranha, é. Foram embora. Depois o nigeriano que me atendeu no primeiro dia veio perguntou como eu estava, se havia comido e disse que eu estava bem. E eu perguntei a que horas teria alta. Ele: meio dia. E eu UHUUUUUUUUUUUUUUUU.... A nutricionista veio. A psicóloga veio. O mundo veio falar comigo. O papa veio...kkkk...não, o papa não veio. Mas enfim. Meio dia não chegava nunca. Chegou o almoço. Almocei. Esperei. Combinei com minha irmã de ir me buscar. Tudo e nada da alta. Quando vi no quarto ao lado uma moça que tinha dado entrada junto comigo no dia anterior. E ela também estava esperando a alta. Quando vimos o médico saímos as duas pro corredor e ficamos esperando ele assinar a alta. Assinou. Ufa! Vamos embora daquele tormento todo. Mas o que eu pretendo com esse posts é dizer que o HSPM é meio desorganizado, é sujo, é...mas os profissionais que lá estão, em sua maioria, são super competentes. Alguns de cara fechada, alguns te tratam com desdém, mas eu tive sorte, pois todos que me atenderam, exceto a primeira ginecologista, foram muito atenciosos, e a Doutora Cristiane, muito competente, tudo que ela me explicou, aconteceu exatamente como ela explicou. E por isso tenho consideração. Fui bem cuidada, o procedimento foi feito de forma eficiente e estou viva. Superando minhas dores, físicas e psicológicas, mas isso é comigo agora.

Minha aventura pelo HSPM - Parte 1

Esse post vai ser looooooongo...preparem-se.Como vocês sabem, ou se não sabem, ficarão sabendo, sou funcionária pública da prefeitura de São Paulo, portanto, sou funcionária pública municipal, e, assim sendo, posso usufruir dos serviços médicos prestados no Hospital do Servidor Público Municipal, o famoso HSPM. Ingressei, por concurso público, na Prefeitura de São Paulo, no ano de 2008, mais precisamente no dia 26 de agosto de 2008, dia do aniversário da minha filha mais velha. E desde então, como sempre tive convênio médico, primeiro de minha parte, pois lecionava na extinta Uniban e depois por parte de meu marido, que trabalhava em empresa privada, nunca utilizei os serviços médicos daquele hospital acima citado. Mas, hoje em dia, estou sem convênio médico e portanto, precisei utilizar-me dos serviços do HSPM.  E lá fui eu. Como vocês sabem também, engravidei, agora no meio desse ano e com três meses de gestação sofri um aborto espontâneo, algo que não desejo para mulher alguma, um processo muito doloroso, não fisicamente falando, somente, mas psicologicamente falando. E por causa desse aborto precisei utilizar os serviços do HSPM. Cheguei lá e fui fazer minha carteirinha, pois sem isso você não existe para o hospital. Ok, até que foi rápido e a moça que me atendeu foi super prestativa e atenciosa, me explicou exatamente como funcionava o hospital e o que eu deveria fazer e onde eu deveria ir. A primeira coisa que eu deveria fazer era ir dar entrada no PS, pois meu caso era de emergência, como era uma emergência ginecológica me enviaram para o quarto andar, onde existe o atendimento da clínica de ginecologia. Chegando ao quarto andar perguntei para umas três pessoas onde era o atendimento do PS  de ginecologia e ninguém sabia. Até que me informei com a moça que estava entregando exames, e algo engraçado até aconteceu, quando ela perguntou porque eu queria o PS de Ginecologia, eu respondi: sofri um aborto espontâneo. E a mulher olhou para minha barriga. Tipo, ela queria ver com sua visão de raio X se eu sofrera mesmo o aborto? E isso aconteceu mais umas duas vezes na minha aventura pelo HSPM. Pois bem, a moça me disse: emergência ginecológica é no oitavo andar. Fui para o elevador, e pedi: oitavo andar. A ascensorista disse: você teve bebê? Eu: Não, vou para a emergência ginecológica. Ela: Ah, então é o outro elevador que você vai pegar. Puta merda! Que outro elevador, cazzo? Ela: pergunta para o segurança. E lá fui eu perguntar para o segurança. E ele me indicou o caminho do outro elevador, os elevadores eram os B e C. E eu lá sabia que tinha letra pra elevador! Me poupem! É a primeira vez que venho nessa joça. Ufa. Ok. Cheguei no dito oitavo andar onde se atende emergência ginecológica. Eu já tava puta né? Pensa em você passando por todo esse sofrimento psicológico e ainda passar por essa andança dentro do hospital...Ahpapu! Vamos lá que a saga apenas começou. Cheguei lá e entreguei minha ficha e espera, espera, espera, espera milênios. Cara, você irá cansar muito de esperar, leva seu livro, sei lá eu o que, mas leva algo para você fazer, porque sua bunda ficará quadrada de tanto que você irá esperar. Eis que, depois de horas, meu lindo nome é chamado para a consulta. Ok de novo. O doutor é nigeriano. Até aí, beleza, sendo bom pode vir de onde vier, até ser um ET. Vai resolver o problema? Então tá valendo. Mas o porém é que....eu não entendia o que o cara falava, mano. O sotaque era muito estranho e ele falava baixo ainda por cima, pra ajudar...Enfim, entendi que ele queria me examinar. Fui tirar a parte de baixo das minhas roupas em um banheiro, vamos dizer, no mínimo, imundo, com insetos mortos por todo o lado. Ecate! Mas tudo bem. Você está em um hospital público mal cuidado. Devia ser melhor, mas não é. Fecha o olho, segura na mão de Deus, e VAI! Aí o médico: senta aí e coloca as pernas ali. Mulheres, vocês sabem, o que é aquela cama ginecológica. O fim dos tempos. Homens, vocês não têm ideia do que é aquela cadeira. Vexame total! Mas enfim...é nela que eu tive que subir. O cara foi educado, pedindo licença e explicando o que estava fazendo comigo: com licença, vou colocar o espéculo. Com licença, vou fazer um exame de toque...Ok, é o protocolo e acho que um pouco de educação, mas o que não diminui a péssima sensação, a dor e a vergonha. Depois de me examinar ele disse que eu teria que fazer uma nova ultrassonografia, pois já havia feito uma aqui em Guarulhos, para confirmar o aborto. Oi? Mas enfim. Espera...espera...espera...mais dois milênios. Ele até disse: Pode ir comer e voltar que a ultrassonografia só chamará à partir das 14h30. E aquela hora marcava 13h. Portanto, fui comer. Depois voltei ao dito oitavo andar e ...já haviam me chamado. Ahpapu de novo. Nem 14h30 eram. E a moça falou: hoje eles chamaram mais cedo. Me fala se isso tá certo ¬¬...beleza...ela disse, tudo bem, só esperar a enfermeira voltar e te chamar novamente. A enfermeira voltou e me chamou novamente. Descemos e espera espera espera...fiz a ultrassonografia...Espera um pouco que já já sai o laudo e você volta para o oitavo andar. Três pessoas dentro da sala, conversando e rindo. E eu ainda fui abrir minha boca e disse: o povo fica conversando e rindo e meu laudo sair nada, vai ver que perderam. Até que uma das pessoas que estava dentro da tal salinha vem até mim e diz: seu laudo saiu, pode subir. A enfermeira me levou pra cima novamente. Aí espera espera espera e o médico me chama novamente. Abre o envelope e...tchanãnãnã...Cadê o laudo?? Não estava dentro do envelope. Agora me diz: se a pessoa tá armada numa hora dessa, desce a bala no médico, cacete!!! Como eu não estava armada, voltei pra sala de espera e....espera...espera...espera....Eis que o médico me chama de novo e diz: Realmente, você está grávida, porém seu bebê está morto. E eu falando mentalmente: Ok, me conta uma novidade agora. E ele me contou: você terá que ficar internada e fazer uma curetagem. E eu: Hoje não posso, tenho uma filha de dois anos e preciso organizar minha vida. Posso voltar amanhã? Ele: pode, vou deixar avisado aqui. Amanhã você volta, passa no PS de novo (esse PS na verdade significa: Porta para o Sacrifício....só pode) e sobe aqui. A saga continua, no próximo post.....continuem lendo para saberem como terminou....=)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A luz e a questão da diversidade

Um dia fui apresentada ao clipe da Banda HollySiz, com a música The Light (abaixo seguirão links para a letra e tradução da música, que é, simplesmente, bárbara) e como vocês sabem, ou não, sou Coordenadora Pedagógica em uma escola municipal de ensino fundamental e, portanto, sou responsável por, junto com os professores, elaborar e desenvolver o PEA - Projeto Especial de Ação. Neste ano de 2015 o tema do nosso PEA é O Currículo na Perspectiva da Diversidade/Diferença, ou seja, nós fazemos leitura, nos apropriamos, discutimos textos, artigos, livros, filmes, música, e o que mais vier, sobre os temas da diversidade, sobre a questão do negro, da mulher, dos deficientes, das minorias no geral, sobre a sexualidade, homossexualidade, transsexualidade, bissexualidade e tudo o mais que gire em torno da temática da diferença. E mais, além de fazermos essas discussões, planejamos ações, projetos, a serem desenvolvidos com os nossos alunos do ensino fundamental, contemplando todos os ciclos e a modalidade da EJA - Educação de Jovens e Adultos. Depois que fui apresentada a esse vídeo, que não assisto sem derramar uns mil litros de lágrimas, socializei-o com meus professores em uma reunião de replanejamento que tivemos no retorno, pós mini recesso, ao segundo semestre. E após passar o vídeo perguntei aos professores se alguém queria comentar algo, ficou um silêncio espectral, não sei se não gostaram ou não, mas enfim...só sei que os professores ficaram sem palavras. O primeiro texto que lemos esse ano foi o da capa da Revista Nova Escola Precisamos falar sobre Romeo, o qual vocês encontram aqui, neste link: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/educacao-sexual-precisamos-falar-romeo-834861.shtml?page=3 e que teve uma excelente repercussão junto aos professores. A questão da homossexualidade, ou melhor, da sexualidade, não é um tema fácil de se trabalhar e tratar e conversar. Porém, ou eu sou uma pessoa muito evoluída ou não sou desse planeta, pois pra mim, fere em nada se um aluno meu quisesse vir para a aula de vestido. O que vocês acham? Eu sou adepta da felicidade, sem restrição. O menino é feliz assim? Deixa ele ser feliz!!! Depois que lemos esse texto e que tive contato com esse vídeo, ligamos as coisas e temos muito mais repertório, hoje, para discutirmos essas questões e planejarmos ações para serem trabalhadas com nossos alunos. Agora, deixo o vídeo para vocês assistirem e comentarem, por favor. Isso será importante para nosso projeto! Os professores irão gostar! E nossos alunos também.
video
Links relacionados:
Site oficial da Banda: www.hollysiz.com
Facebook da Banda: https://www.facebook.com/HollySiz
The Light (letra e tradução): http://letras.mus.br/hollisiz/the-light/traducao.html

Façam bom proveito!

sábado, 25 de julho de 2015

Mudanças de planos, mudanças de sonhos, mudanças de tudo, inclusive de concepções



O que é o aborto? O aborto é a interrupção de uma gravidez, segundo o site http://www.aborto.com/tipos%20de%20aborto.htm. É a expulsão de um embrião ou de um feto antes do final do seu desenvolvimento e viabilidade em condições extrauterinas. O aborto pode ser espontâneo ou induzido. São várias as causas e os motivos que podem levar a que uma gravidez seja interrompida, quer espontaneamente, quer por indução. Ok, um tema pesado esse, mas que é mais comum de ocorrer do que se imagina. Nunca pensei que fosse assim tão comum e nunca imaginei passar por isso um dia. Depois que acontece contigo é que você começa a entrar em contato com algo que não tinha a menor ideia e descobre pessoas de seu convívio que você nem imaginava que já haviam passado por isso um dia, mas elas passaram e melhor, sobreviveram, e continuam, e tiveram outras gestações que foram a termo.
O tema em si é pesado, mas passar por tudo isso e ficar bem é muito mais difícil. Pois, como me disseram, a partir do momento que a mulher sabe que está gerando um filho, sua vida fica plena, ela se sente saudável, poderosa, afinal ela está gerando uma vida dentro dela, ela tem todo o aporte necessário para isso e ela o está fazendo, portanto, ela se sente uma super heroína. E eis que ela vai ao médico investigar se está tudo bem com seu bebê, e eis que ela vai fazer um ultrassom  e vê seu bebê, mas na hora da captação dos batimentos cardíacos, nada! Vocês imaginam qual a sensação disso? Não? É a pior possível. Não tem como dizer, descrever ou tentar explicar. É uma dor incomensurável. E eis que você está sozinha, fica na recepção esperando o médico que realizou seu ultrassom te entregar o resultado e o seu 3G do celular está péssimo, você não consegue nem compartilhar aquilo com ninguém. A pior sensação que já tive na vida, sério. Impotência. Diante da vida, diante da morte. Como eu, atualmente, sou seguidora, e tento estudar um pouco da Doutrina Espirita, eu sei que um fato como esse pode ter N significados. Mas sei também que nada é sem propósito. Que seja um resgate, para mim ou para o bebê. Não sei. Só sei que Deus sabe o que faz. E para quem assistiu ao filme As mães de Chico Xavier (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-202582/) deve se lembrar que a mãe desesperava-se com a morte de seu filho enquanto andava de bicicleta sob a supervisão da babá. Ela não perdoava a babá, pois dizia que tinha sido culpa dela a morte do filho. E eis que em busca de ajuda ela ouve: Você não acha que Deus permitiu que ele morresse sob os olhares de outra pessoa pois você não seria capaz de suportar a dor ao ver seu filho morrendo? Então, desejo pensar assim: melhor meu bebezinho ter morrido com meses de gestação, do que vir a termo e nascer com alguma deficiência que o tornaria um ser vegetando, ou que nascesse em poucos dias ou horas e morresse, ou que eu sofresse um aborto espontâneo com mais meses de gestação, com quarto montado, roupas compradas e tudo o mais que se faz, ou compra, quando se está esperando um bebê.  E como eu creio que tudo na vida é aprendizado. Isso também tem sido um aprendizado para mim. Primeiro, aprendi que o aborto espontâneo é mais comum de ocorrer do que eu imaginava. Meu médico disse que 30% das gestações tornam-se abortos espontâneos, muitas vezes, as mulheres nem fazem o teste de gravidez, elas tem um atraso de um mês, no outro mês a menstruação vem e a vida continua mas, geralmente, é uma gestação abortada. E descubro também que os amigos e a família nessas horas são muito importantes. Se eu não tivesse conversado com as pessoas, falado, trazido à tona o que eu estava passando, provavelmente eu estaria bem pior, psicologicamente falando. A palavra conforta! E como! E você saber que há pessoas que estão lá, e que você tem a certeza que se disser: preciso de ajuda! Elas virão ao teu encontro e te salvarão. Eu não sei o que seria de mim sem amigos e sem família. Acho que não existiria. E chorar. Chorei muito. Chorei um dia inteiro. Desde a hora que peguei o resultado do ultrassom, cheguei no meu carro, abri o exame e vi as palavras sinistras: Gestação Interrompida. Eu não parei mais de chorar. Chorei chegando em casa, chorei assistindo tv, chorei falando com as pessoas, chorei ao ver mulheres grávidas, chorei ao ver bebês, chorei. Simples assim, permiti-me isso!! E fez bem. Um bem danado! E após ir ao médico, com o resultado daquele exame, eu espero a natureza completar sua ação. Sim, essa foi a indicação que recebi do médico, a melhor opção diante do tamanho diminuto do feto. Esperar o meu organismo expelir o que sobrou do corpinho do meu bebê, que não está mais lá, ele é agora um anjinho no outro mundo. Olhando por mim e minha família. Tenho certeza que minha Thaís está melhor onde está. E que ela me trouxe lições e crescimento e evolução espiritual. Por que minha Thaís? Pois eu havia sonhado com uma menininha chamada Thaís, antes de descobrir que estava grávida. Teve gente que meio que me recriminou por eu ter optado por esperar a natureza completar sua ação. Mas porque optei por esperar, pois o médico me disse, é o método mais natural e menos agressivo ao seu organismo e depois você segue sua vida normalmente, inclusive podendo gerar outros filhos normalmente. Claro que há um prazo. Uma semana. Se nesse prazo nada acontecer, há que se intervir cirurgicamente e realizar uma curetagem (http://guiadobebe.uol.com.br/o-que-e-curetagem-e-em-quanto-depois-a-mulher-pode-engravidar/). E enquanto essa semana, que é a mais difícil da minha vida. não passa, eu peço, respeitem minha dor! Não é de bom tom ficar perguntando: você já expeliu o seu bebê? Isso é muito tosco. Não conte de ninguém que morreu após ter sofrido um aborto espontâneo. Sei que é preocupação e alerta, mas tem hora pra tudo, minha gente. Agora é a hora de eu encarar novamente a vida sem a minha gestação e acho que para isso preciso de respeito e paz. Se eu disser: vamos falar sobre isso. Ok, vamos falar. Se eu não falar nada. Não pergunte, não comente. Traga seu carinho e sua ajuda. Só isso que é importante agora, eu me cercar de pessoas que querem o meu bem. Se conhece alguém que tenha passado por isso, ou que esteja passando, por favor, leia esse post e leve à pessoa somente coisas boas e energias positivas. Eu, por exemplo, contei muito com a força de uma amiga que já passou por isso não uma, mas duas vezes, e que me deixou muito tranquila quanto isso. Agradeço imensamente.  No mais, é vida que segue. E se for desejo de Deus, outros bebês virão, saudáveis.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

E novamente me sinto plena

Estava eu aqui pensando, esses dias, que tinha que alimentar meu blog. Coitadinho! Hoje acessando-o vi que a última postagem foi feita em fevereiro, sobre os bebês de 8 meses. Sendo que eu estava fazendo essas postagens seguindo a cronologia de desenvolvimento da minha bebê Elena. E hoje ela já está com 1 ano e 11 meses!! Ou seja, estou meio atrasada com as postagens, mas é que a correria do dia a dia nos consome. Sei que não devíamos deixar isso acontecer, porém, acontece, em muitas das vezes. Porém, voltei aqui e cá estou. Para falar novamente, meus caros leitores, de gestação. Pois é, eu e meu marido descobrimos, nesta semana, que vem mais um membro para o clã! E o que todos dizem, quando conto que estou grávida novamente? Tomara que agora seja um menino. Mas já me adianto a vocês: sonhei com uma menininha e chamada Thaís. Ou seja, acho que para desgosto das expectativas alheias, será outra menina. Contudo, voltando ao início. Por que estou aqui escrevendo? Só para constatar que estou em atraso com meus leitores? Não! Vim aqui para filosofar um pouco e devanear, talvez, e dizer algumas coisas que vieram à minha mente esses dias, em que estou me acostumando à ideia de nova gravidez, agora que doei tudo que tinha de roupinha, carrinho, banheira, chiqueirinho, pois acreditava que não mais engravidaria. Eu, em toda minha existência, que reside em minhas lembranças, sempre fui uma pessoa que gosta de planejar, não gosta muuuito de mudanças repentinas, mas que porém não planejou muitas coisas na vida. Elas, simplesmente, aconteceram e foram acontecendo e eu fui vivendo e absorvendo o que vinha para mim, por ordem divina, destino, sei lá, mas eu aceitava o que me acontecia, e tentava lidar com a situação das melhores maneiras possíveis, no meu entender, se de repente eu contar uma situação e dizer como agi, haverá milhares de opiniões concordando ou discordando de mim, mas...a vida é isso...e eis que aqui estou com 42 anos e grávida novamente. Desde que tive minha primeira filha e me separei do pai dela, quando ela tinha 8 anos eu digo que só engravidaria novamente antes dos 40 e se virem a postagem que fiz quando engravidei da Elena podem constatar isso, eu soube da gravidez da Elena no dia 15 de dezembro de 2012, ano em que, em 16 de dezembro, eu completaria 40 anos, ou seja, minha expectativa foi contemplada, antes dos 40 engravidei. Quando estudei Educação Inclusiva, e lecionei sobre essas disciplinas, minhas alunas diziam que nunca mais engravidariam, pois sabe-se dos riscos de se engravidar com uma idade tardia, pois a mulher nasce com todos os óvulos que ela eliminará ou utilizará durante sua vida, portanto, se eu tenho 42 anos, meus óvulos também tem essa mesma idade, e como sabemos o corpo humano é uma máquina, mas uma máquina que tem desgastes, como todo ser vivo, nascemos, nos desenvolvemos e morremos....é a ordem natural das coisas....Eu creio que com meu estado de saúde bom e com as novas tecnologias minha gestação tem tudo para ser um sucesso, mas hei de confessar: dá medo. Muito medo! De tudo! Da nova vida que vem por aí, de ter que adquirir tudo de novo, de ficar de madrugada acordada, de meu bebê nascer saudável, se desenvolver saudável, da reação da Elena, enfim...de tudo, mas espero superar tudo, como sempre superei o que veio a mim, durante minha vida. E conto com o apoio de todos, minha família e meus amigos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O oitavo mês de vida

Os bebês de oito meses já sentam, engatinham e ficam de pé, uma graça de se ver, eles se tornando independentes e explorado novos pontos de vista e novos locais, antes inacessíveis por sua inabilidade motora. Cada um segue seu estilo, tem uns que engatinham ou sentam e vão se arrastando, o negócio deles é sair explorando os ambientes. Ele pode até ficar em pé, com apoio, experimente colocá-lo próximo a um sofá, em pé, ele irá agarrar o sofá com todas suas forças para ver o mundo sob uma outra perspectiva. Mas como tudo tem um porém, essa fase é muito importante para o desenvolvimento do bebê, não só motoramente, mas também emocionalmente, porém, há muitas quedas e acidentes. O instinto materno quer proteger a prole de qualquer dano, porém, mais uma vez, você, mamãe tem que se controlar e deixar seu bebê amadurecer. O ambiente em que ele circula e vive tem que ser seguro, certifique-se de não deixar móveis instáveis, pequenas peças que ele possa engolir ou colocar na orelha ou nariz, colocar bloqueadores de passagem em escadas e locais que ele não possa acessar, além de redes de proteção em janelas e sacadas. Ele pega objetos e os deixa cair, consegue segurar objetos com a mão fechada e começa a desenvolver o movimento de preensão e pinça entre o polegar e o indicador, o que é um grande avanço. Seu bebê se torna mais emotivo, sociável e também entende melhor a rotina, quando sair e for ficar longe de seu bebê diga a ele claramente que irá sair e que volta, segure sua emoção se ele chorar, conforte-o e não o deixe sofrer, garanta que volta e volte mesmo. Por conseguir pegar e segurar objetos o bebê começa a se relacionar e realizar descobertas e jogos com eles, como por exemplo, pegar um objeto  e deixá-lo cair para alguém pegar, esse é o jogo dele, provavelmente ele jogará o objeto para ver alguém pegá-lo sucessivas vezes, ele começa a fazer relações entre os objetos, percebe que um objeto menor cabe em um maior, por exemplo, é o momento para você oferecer a ele várias caixas e ele ficará horas brincando com elas, ou jogos de encaixe como torres etc. Isso tudo é possível pois seu bebê já enxerga com uma acuidade eficiente. Na alimentação você pode introduzir novos alimentos, não todos de uma vez mas ir testando o paladar de seu filho, o ovo é um ingrediente que pode ser adicionado à dieta do bebê. Aos 8 meses as refeições do bebê não podem passar de 250 gramas, pois o bebê nessa idade só tem capacidade para essa quantidade no seu estômago. Portanto, a alimentação salgada e frutas são intercaladas com o leite materno. E esse é o bebê em seu oitavo mês de vida e no mais, curta muito pois todos esses meses passam voando.